Arquivar para janeiro, 2014

O luxo artesanal e a indústria do luxo

Baú Goyard sob medida

Por Ricardo Ojeda Marins

Artigo publicado no Blog do Milton Jung (Rádio CBN)

O consumo de produtos de luxo passou por desenvolvimento internacional extraordinário nos anos 80, e o luxo foi reconhecido como setor econômico e industrial desde o fim dessa década, com a constituição e o crescimento de grandes conglomerados de marcas deste mercado. No começo dos anos 90, foi a época em que o luxo deu passo definitivo na direção de se tornar setor econômico e suas empresas assumirem-se como negócios. Louis Vuitton Malletier, até então uma pequena empresa familiar com negócios na ordem de 32 milhões de euros, tornava-se, com 1,3 bilhão de euros, a filial mais lucrativa do líder mundial dos produtos de luxo: o grupo LVMH.

De acordo com Dana Thomas, autora do livro “Como o Luxo perdeu o brilho”, na década de 1980, o crescimento tornou-se não apenas prioridade, mas, sim, objetivo, nos Estados Unidos, pois possuíam mercado médio de maior porte, mais rico e fluido do mundo. Era então necessário para o luxo encontrar lugares com número abundante de clientes, sem diminuir o status percebido da marca.

Para muitos, o processo de “industrialização do luxo” o fez menos exclusivo, principalmente pelo fato de ter-se deixado de lado, talvez em maior parte, a produção à mão, que deu lugar à produção em máquinas. Afinal, algumas das premissas do luxo são a exclusividade, o feito sob medida, o prestígio e a edição limitada. O crescimento do segmento de bens e produtos desse segmento e a substituição em boa parte do artesanato pelo industrial geraram a democratização do luxo, aumentando sua presença global e o tornando acessível a um público mais amplo do que o consumidor da antiguidade.

Hermès birking bag

Encontrar o equilíbrio entre ter mais clientes sem correr o risco de perder o glamour e a sofisticação anteriormente conquistados é um dos principais desafios das marcas de luxo. Para evitar a banalização, ou seja, impedir que as marcas percam o conceito de exclusividade e sejam vistas apenas como mais um nome sem caráter prestigioso, devem-se preocupar em ter posicionamento preciso, distribuição seletiva, serviços diferenciados, treinamento de pessoal e canais de comunicação eficazes para o público-alvo deste mercado, além de investirem em criações de edição limitada em algumas linhas de produtos, como fazem Louis Vuitton, Goyard e Hermès, que ainda possuem produtos feitos à mão, sob medida e exclusivos.

Não se deve esquecer: o verdadeiro luxo ainda é para poucos.

Chá da tarde em grande estilo

Afternoon Tea Jimmy Choo

Por Ricardo Ojeda Marins

Artigo publicado no Blog do Milton Jung (Rádio CBN)

Que luxo, moda, gastronomia e hotelaria combinam, todos nós sabemos. Para os apaixonados por moda que estiverem em Munique (Alemanha), até o fim de fevereiro deste ano, uma novidade bem bacana: o Jimmy Choo Fashion Afternoon Tea – chá da tarde temático no sofisticado Mandarin Bar, no hotel Mandarin Oriental, um dos mais luxuosos da cidade.

Inspirado na Cruise Collection 2014, o menu vai deliciar os fãs da marca com itens de patisserie em miniaturas como bolsas de chocolate, petit fours, macarons de framboesa e chocolate, copinho com uva, limão e caviar, acompanhados de um cardápio de chás finos Jing Tea.

Esta não é a primeira vez que a rede Mandarin Oriental faz esta parceria. Já havia realizado a mesma estratégia no ano passado, na unidade em Hong Kong. Chás da tarde em hotéis tornaram-se ótima experiência para hóspedes ao redor do mundo. Para apaixonados por gastronomia ou moda, cada item do chá pode ser considerado tão admirável quanto uma verdadeira joia, além de estar ali com pessoas queridas, vivenciando momentos memoráveis da viagem.

Para o hotel, a estratégia de co-branding em parceria com a marca Jimmy Choo, é muito positiva, uma vez que fortalve as duas marcas ao criarem produto que agrega valor a consumidores de alta renda, sofisticados e bastante exigentes. Depois de um dia de compras, cultura e história, durante o inverno na Alemanha, descansar desfrutando um chá da tarde especial é uma experiência para enriquecer ainda mais a sua viagem … e se a consciência pesar após degustar alguns doces, que tal aproveitar o fitness center do hotel ou a piscina localizada na cobertura?

Puro luxo sensorial!

A simplicidade é um luxo

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Por Ricardo Ojeda Marins

Artigo publicado no Blog do Milton Jung (Rádio CBN)

Carros, joias, aviões particulares, roupas, sapatos e outros bens caríssimos. Não há dúvidas que esses itens nos remetem a pensar em luxo, ou mais que isso, são associados ao luxo. Cada vez mais, porém, esse exigente consumidor busca algo muito além de produtos. Sabedoria, paz de espírito e simplicidade, por exemplo, são desejos que estão na lista de privilegiados do mundo contemporâneo.

Como o luxo em si, a simplicidade também é subjetiva. Pode ser um fim de semana em spa exclusivo, um retiro espiritual em hotel de luxo no Butão, uma viagem de balão na Capadoccia, aulas de gastronomia com um Chef em resort na Toscana ou a degustação de café preparado por você mesmo. Pode ser, simplesmente, admirar o pôr do sol em destinos cuidadosamente selecionados.

A simplicidade pode ser tanto um artigo de luxo como um produto Premium: imagine pipocas cobertas de chocolate da Chocolat du Jour, os bolos mais simples da Bolo à Toa ou, até mesmo, as sandálias Havaianas, consideradas Premium principalmente na Europa e Estados Unidos.

Bolo a toa

E não se engane, a simplicidade pode ser cara. Atente-se ao SHA Wellness Clinic, hotel de luxo em Valência, na Espanha, considerado um dos mais exclusivos complexos de Spa da Europa, com uma vista privilegiada para o Mar Mediterrâneo. Com diárias de hospedagem que se iniciam na faixa de 300 euros, ali pode-se cuidar do corpo e da mente através de tratamentos de beleza e desintoxicação, além de se entregar aos prazeres da gastronomia e participar de atividades como mergulho, esqui, golfe e passeios de barco.

A simplicidade está presente no olhar do cliente, no que ele almeja ao buscar um determinado serviço. Nos benefícios adquiridos, no seu bem estar, na realização pessoal, no sentimento de ser único ao receber tratamento personalizado, com suas necessidades e desejos realizados.

O luxo deslocou-se para o subjetivo universo do consumidor, repleto de sentimentos, necessidades e valores que envolvem especialmente o aprimoramento sociológico das pessoas.

Sim! A simplicidade também exige o maior grau de sofisticação.

Luxo ao alcance do seu passaporte

luxo em aeroportos

Por Ricardo Ojeda Marins

Artigo publicado no Blog do Milton Jung (Rádio CBN)

Viajar é algo prazeroso e o consumo faz parte desta experiência, independentemente dos viajantes serem ou não apaixonados por compras. Para o brasileiro, fazer compras, sem dúvida, faz parte de seu DNA. E, muitas vezes, o desejo do consumidor já começa a ser saciado antes mesmo de levantar voo.

Muitas marcas de luxo estão presentes em aeroportos do mundo, algumas com lojas próprias, outras com “corners” em lojas de conceito “duty free” e muitas apenas tem seus produtos em lojas “duty free”, caso bem comum para perfumes, maquiagens, óculos e outros acessórios. Questiona-se muito se a presença de marcas prestigiosas em aeroportos poderia banalizá-las, principalmente por sua exposição e acessibilidade. Ao disponibilizarem alguns de seus produtos nesses ambientes, as marcas devem ter rigorosa política de distribuição, comunicação e precificação, fatores aliás essenciais para a gestão de luxo. Os circuitos de divulgação necessários à divulgação dos objetos e produtos de luxo acessíveis são seletivos, porém muito mais numerosos e maiores que os do luxo intermediário. No ponto de venda, há um espaço físico reservado a esses produtos, com o seu merchandising próprio. A distribuição é seletiva nos casos de roupa, joalheria, perfumaria e acessórios.

Hermès mercado de luxo

Um bom exemplo é a prestigiosa grife Hermès, que comercializa algumas de suas coleções de gravatas em lojas “duty free” de aeroportos ao redor do mundo, inclusive no Brasil. A gravata, um dos ícones da marca, é considerada ítem acessível, além de ótima opção de presente – ideal para o consumidor que às vezes se esquece de uma compra ou não teve tempo nas cidades visitadas durante a viagem. Há um cuidado especial da Hermès ao escolher quais produtos vender ali. Dificilmente se verá itens de edição limitada. A grife tem também pontos de venda próprios em aeroportos diversos, em destinos como Londres, Cingapura e Hong Kong.

Vale ressaltar que um produto de luxo acessível deve manter a produção com elevada qualidade, a utilização de materiais excelentes e preço ligeiramente inferior. Nesse mercado, seu consumidor-alvo é bem diferente dos luxos intermediário e inacessível. A produção baseia-se na necessidade de fabricar os produtos o mais racionalmente possível, utilizando-se recursos industriais modernos em produção em série, podendo assim rentabilizar a operação.

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