Arquivar para outubro, 2013

Iates de luxo: mansões em alto mar

Schaefer 800

Por Ricardo Ojeda Marins | Artigo publicado no Blog do Milton Jung (Rádio CBN)

Engana-se quem duvida que é possível ter o mesmo conforto e sofisticação de sua residência em alto mar! Verdadeiras mansões com preços que vão de “acessíveis” R$ 32 mil a inimagináveis R$ 20 milhões, alguns modelos de barcos e iates de luxo chegam a ter mais de quatro suítes, espaço gourmet, salas de estar e jantar, cozinha e posto de comando. A área externa, geralmente a parte preferida para se passar horas bronzeando-se ao sol ou se divertindo com amigos e família, pode apresentar diferenciais como passarela de desembarque, lift hidráulico, churrasqueira e camarote.

Seguindo o crescimento geral do Mercado do Luxo no Brasil, o segmento de barcos vive ótimo momento. O País representa cerca de 1,5% do consumo mundial desse seleto mercado. A Itália é maior produtora de iates de luxo do mundo, seguida pelos Estados Unidos, Holanda, Reino Unido e Alemanha. Os crescimento da economia brasileira e do número de milionários no país, além da valorização da moeda nacional, são alguns dos principais fatores que impulsionam esse sucesso. Em outubro, ocorreu a 16ª edição do São Paulo Boat Show na capital paulista, um dos maiores eventos do setor na América Latina, com mais de 100 expositores, nacionais e estrangeiros, mais de 230 embarcações, entre lanchas, veleiros, infláveis e caiaques. A Feira de Negócios Náuticos ocorre anualmente e gera novas vivências, troca de networking e, claro, novos negócios.

Empresas como Ferretti Group, Intermarine, Fibrafort, Schaefer Yachts, Ventura Marine e YachtBrasil são algumas das principais do segmento. Um dos modelos mais cobiçados é a Schaefer 800, da Schaefer Yachts, que possui capacidade para 23 pessoas, esportiva e equipada com o que há de mais moderno, com teto solar e convés em um nível, permitindo total integração entre as áreas. Sua autonomia de 300 milhas, suas dependências e sua cozinha completa tornam a experiência ainda mais agradável. Este pequeno mimo é destinado aos que se dispõem a desembolsar cerca de R$ 12 milhões.

Tools & Toys Shopping Cidade Jardim

A Ferreti possui uma estratégia interessante com seu showroom – Tools & Toys – no luxuoso Shopping Cidade Jardim, na capital paulista: um espaço com mais de 1000 metros quadrados e estrutura tecnológica única no Brasil, onde oferece iates Ferretti Group e outros produtos e acessórios de luxo. Sua presença em um dos principais pontos de varejo de luxo no país torna a marca ainda mais visível e instiga os sentidos de seus visitantes.

Produzidos em série limitada, altíssima qualidade e com design inovador, os barcos de luxo são cobiçados por consumidores exigentes que apreciam viver em alto estilo. Porém, se no passado, para muitos, comprar um barco era ostentação ou apenas um desejo do “ter”, hoje o cenário é outro: o consumidor do luxo contemporâneo está mais preocupado com o seu bem-estar, e ao possuir um iate, busca principalmente vivenciar experiências como celebrar o aniversário entre amigos em alto mar, comemorar bodas de casamento ou descansar com a família longe da agitação das grandes cidades.

A estratégia do luxo na busca de novos consumidores

Chanel mercado de luxo

Por Ricardo Ojeda Marins | Artigo publicado no Blog do Milton Jung (Rádio CBN)

No mercado internacional, com a concorrência acirrada e a globalização, um dos maiores desafios para as marcas de produtos e serviços de luxo é manter seu crescimento. A expansão da marca para outras classes tem sido a estratégia adotada, criando novos produtos: perfumes Hermès, camisetas e chaveiros Ferrari, relógios Mercedes-Benz, por exemplo. Cresce cada vez mais o número de grifes de alto luxo de segmentos como automóveis, moda e joalheria investindo buscando segmentos diferentes de sua principal área de atuação.

A estratégia de extensão de marca consiste em aumentar a categoria de produtos para a mesma base de consumidores, sempre se preocupando com uma distribuição seletiva. Porém, no mercado com foco no consumidor AAA novas categorias de produto só devem ser exploradas se estiverem alinhadas ao conceito da marca.

Até que ponto pode uma marca de luxo usar esta estratégia sem arranhar o seu posicionamento e sem possibilitar a banalização perante o consumidor? É imprescindível estar atento para que não se modifique a proposta de seu valor ao ampliar a acessibilidade e atrair público muito diferente daquele que compra, por exemplo, um automóvel Ferrari, uma bolsa Chanel ou uma joia Cartier. É necessário que se mantenha um alto nível de relacionamento do público com a marca. Uma expansão realizada sem critério pode confundir o que a essa representa, diluindo seu valor.

Há casos de extensão de marcas de luxo para outras categorias de produtos que aproveitaram a oportunidade sem prejudicar seu posicionamento. Grifes como Chanel e Dior, ícones da alta costura, apostam em produtos de entrada (considerados acessíveis) como perfumes, cosméticos e acessórios para conquistar o consumidor, que, com o tempo, poderá ser um comprador de seus produtos de categorias mais elevadas, como as renomadas bolsas Chanel.

A grife Armani é um exemplo também interessante, pois expandiu para o segmento de homeware criando a grife Armani Casa, especializada em móveis e itens de decoração com foco no público AAA, ou seja, sustentando-se nos pilares de sua marca-mãe: tradição, alta qualidade, sofisticação e design. A Armani também expandiu com sucesso criando marcas no segmento de moda (extensão de linhas) como também na hotelaria, com dois hotéis luxuosos, em Milão e Dubai.

A extensão de marca no segmento do luxo deve ser avaliada e estudada com rigor e só é válida se os novos produtos destinarem-se ao mesmo perfil de consumidor, seguindo o conceito de excelência, exclusividade e mantendo as mesmas políticas de preço, distribuição e comunicação seletivas da marca-mãe. Mesmo ciente de que seus novos produtos poderão atingir o consumidor aspiracional ao mercado de luxo, se a empresa já atua neste segmento e busca atingir um número maior de clientes, deve manter sua essência e principalmente zelar por seu prestígio. Essa estratégia diminui os riscos e os custos, aumentando a cobertura de mercado e fortalecendo os valores e interesses pela marca, imprescindíveis no mercado de luxo.

armani extensao de marca

Atenção, senhores passageiros da primeira classe!

Legacy_500 mercado luxo

Por Ricardo Ojeda Marins | Artigo publicado no Blog do Milton Jung (Rádio CBN)

Conforto, luxo, exclusividade, requinte. Quando pensamos em viagem de primeira classe esses são os ícones que nos vêm à mente. Nela encontramos privilégios tais como espaço amplo, excelente comida e noite de sono relaxante. Porém, há passageiros que vão além. Eles compram sua própria aeronave. Aceitam pagar de U$ 3 milhões a U$ 55 milhões, conforme o modelo, para conquistar privacidade e voar com privilégios incontestáveis. mas fazem esse investimento, também, pelo inegável fato de que as companhias aéreas comerciais reduzem custos afetando a qualidade dos serviços. Soma-se a isso o tempo que normalmente o cliente perde ao enfrentar filas em aeroportos para check-in, alfândega e outros serviços pré ou pós-viagem.

Diferentemente das companhias aéreas comerciais, na aviação executiva pessoas e empresas adquirem aeronaves equipadas de acordo com seus gostos e necessidades pessoais, usufruem de privilégios como embarque e desembarque com maior rapidez, privacidade durante o vôo, escolha de equipe (piloto e tripulação) de confiança, serviço de bordo sob medida, além de opções de itinerários que evitam conexões e encurtam viagens. Para as empresas, a privacidade tem relevância ainda maior: o avião particular permite a executivos discutirem estratégias confidenciais de projetos e negócios com garantia de sigilo. Em vôo comercial corre-se o risco de haver um concorrente em assento próximo.

Legacy_500 aviação executiva

Os jatos particulares já fazem parte do cotidiano de muitos milionários e empresas em diversos países. Os Estados Unidos têm a maior frota. O Brasil, a segunda maior frota de aviação geral do mundo, segundo pesquisa da Associação Brasileira de Aviação Geral (ABAG). Temos ainda o maior mercado no segmento de aviação executiva na América Latina, com aproximadamente 1.650 aeronaves, sendo 650 helicópteros, 350 jatos e 650 turboélices. A cidade de São Paulo, principal centro econômico do país, concentra 35% dessa frota. No Brasil, Embraer, Gulfstream, TAM Aviação Executiva e Líder Aviação são algumas das empresas que detém esse mercado seletivo e exigente.

Com a globalização, a falta de tempo e a constante busca por qualidade de vida mais elevada, essas poderosas máquinas vêm se tornando necessidade para empresas e consumidores de altíssimo poder aquisitivo. Diante do luxo feito sob medida para cada cliente, economia de tempo, agilidade, conforto, privacidade e segurança oferecidos aos proprietários dessas aeronaves, as companhias aéreas têm um novo desafio que é a necessidade de exceder as expectativas para manter seus clientes da primeira classe.

Chocolate vira peça de luxo em loja conceito da Kopenhagen

Kopenhagen Oscar Freire Flagship fachada

Por Ricardo Ojeda Marins | Artigo publicado no Blog do Milton Jung (Rádio CBN)

A marca Kopenhagen abriu a primeira loja conceito – flagship store – no Brasil há cerca de três semanas, comemorando seus 85 anos. O novo espaço fica na esquina das ruas Oscar Freire e Bela Cintra, nos Jardins, em São Paulo, onde funcionou durante anos a sorveteria Häagen-Dazs. A escolha da Oscar Freire foi estratégica para a marca, não apenas por ser um dos endereços mais badalados da cidade e vizinha de grifes como Antonio Bernardo, Schutz e Bang & Olufsen, mas, principalmente, porque sua primeira fábrica funcionou nesta rua.

Por ser uma loja conceito, ali os consumidores podem encontrar todos os produtos da marca, além de presentes e itens especiais. A Linha Gifts Luxo Kopenhagen, por exemplo, foi criada com exclusividade para esse novo espaço, e traz uma coleção de produtos como baleiros, vasos, porta-objetos, bomboniéres e porta jóia. A Kopenhagen fez ainda parcerias com marcas Premium para formar sua carta de bebidas, combinação perfeita para acompanhar a degustação de chocolates. Para os apaixonados pela confeitaria francesa, ali pode-se deliciar macarons de sabores como Nha Benta e Lajotinha. Esta é a única loja da marca onde seus clientes encontram frutinhas de marzipan, um dos primeiros doces comercializados por Anna e David Kopenhagen, fundadores da empresa que nasceu em 1928.

Com projeto da LLAD Arquitetura, a loja possui inovações tecnológicas como um painel de LED interno e com visualização externa para toda a esquina, exibindo imagens de produtos e campanhas da Kopenhagen. Além da preocupação com a arquitetura diferenciada, a marca escolheu a dedo inclusive a vestimenta da equipe, cujos uniformes foram assinados pelo estilista Lorenzo Merlino.

Apesar de não ser considerada marca de luxo, a Kopenhagen tem em seu DNA atributos como tradição, história e alta qualidade na fabricação dos produtos, além de política de distribuição, precificação e comunicação seletivas, podendo ser considerada uma marca Premium brasileira que atende ao consumidor de produtos de luxo, tanto quanto outros consumidores, também. A abertura de sua flagship dá mais ênfase à estratégia da marca, que não é somente comercializar chocolates, mas, sim, tratar chocolates como presentes e proporcionar aos clientes experiências e sensações no ponto de venda. A marca investiu também em estratégias de Marketing Sensorial, com aromatizador de ambiente com cheiro de chocolate e sistema de som que interage com os clientes instigando-os a provar suas criações tentadoras.

Difícil será resistir!

Kopenhagen presentes

A sustentabilidade no mercado do luxo

Sustentabilidade Luxo

Por Ricardo Ojeda Marins | Artigo publicado no Blog do Milton Jung (Rádio CBN)

Cada vez mais praticada por empresas de diversos segmentos, a responsabilidade social ganha relevância também no mercado do luxo. É um dos setores que mais dá importância à questão da sustentabilidade. Pela sua natureza, os produtos de luxo e marcas prestigiosas são, em geral, exclusivos, raros, com preço elevado e durabilidade maior se comparados a produtos mais simples, em geral com preço mais acessível, mas prazos de validade menores e com tendência a serem substituídos mais rapidamente. Nesse segmento, a responsabilidade social pode ser percebida em ações como uso de materiais ecológicos, programas beneficentes, engajamento em políticas de conscientização e, ainda, em eventos com renda revertidas a entidades sociais.

Claro que não nasceu um repentino amor pelas florestas ou por comunidades de países abalados por guerras e pela miséria. Em tempos de crise, muitas empresas de luxo encontraram na postura politicamente correta a maneira mais eficiente de fazer com que o consumidor não se sinta culpado ao desembolsar valores altos por produtos tão desejados. No segmento automotivo, por exemplo, diversas marcas de prestígio como Porsche, Ferrari e Mercedes-Benz apostam em ações sustentáveis e na produção de automóveis híbridos, com menor consumo de combustível. Fatores como o aquecimento global e a escassez de recursos naturais faz com que muitas montadoras modifiquem seus processos de produção e ofereçam aos clientes opções de automóveis econômicos e menos poluentes, sem, é claro, perder o alto valor agregado do produto.

Ferrari-599-GTB-HY-KERS

No segmento de moda e acessórios, vale destacar a atuação da grife americana Ralph Lauren, que mantém a Pink Pony Foundation, entidade criada pelo estilista fundador da marca, que cuida de mulheres que sofrem de câncer de mama. Sua coleção Pink Pony possui em cada peça o famoso cavalinho da marca estampado na cor rosa e parte de sua arrecadação é destinada à entidade. Além de manter a Pink Pony Foundation, Ralph Lauren é ativa em ações sociais: em 2012, doou USD 2 milhões em prol das vítimas do terrível furacão Sandy, ocorrido nos Estados Unidos, e, em 2010, criou coleção de pólos exclusivas com vendas revertidas para ajudar na reconstrução do Haiti, além de outros projetos.

RL Haiti

Outro caso interessante é o da grife Cartier, responsável pela compra de 1% de todo diamante usado em jóias no mundo. A marca francesa mobilizou o Responsible Jewellery Council, que reúne 150 fabricantes de jóias, para convencer todos os associados a exigir de seus fornecedores certificação ambiental e social, garantindo que as pedras preciosas usadas em suas peças não tenham nenhuma ligação com zonas de conflito ou desrespeito aos direitos humanos e ao meio ambiente.

O consumidor contemporâneo é sensível a ações de responsabilidade social, preocupa-se com o meio ambiente e se interessa pela origem do produto que vai comprar. Para as marcas de luxo, hoje ser sustentável pode até ser uma tendência apenas, mas vai se transformar em questão de sobrevivência, principalmente com o crescimento do luxo consciente pelos consumidores desses produtos e serviços.

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