Arquivar para dezembro, 2010

Fabergé: o luxo de séculos passados agora também online

Por Ricardo Ojeda Marins (Artigo publicado no site Gestão do Luxo da FAAP)

Joalheria oficial do império russo escolhe a internet como sua principal plataforma de vendas

A grife Fabergé, fundada em 1842 por Gustav Fabergé, tornou-se famosa por sua criação de ovos com pedras preciosas, e sob a direção de seu filho, Peter Carl Fabergé, tornou-se a joalheria oficial do império russo. Os Ovos Fabergé eram obras-primas da joalheria produzidas por ele e sua equipe entre os séculos XIX e XX para os czares da Rússia.

Encomendados e oferecidos na Páscoa entre os membros da família imperial, os ovos acomodavam surpresas e miniaturas, e eram cuidadosamente elaborados com a combinação de esmalte, pedras preciosas e metais. Desejados por colecionadores em todo o mundo, eles são ainda alvo de admiração pela sua perfeição e considerados expoentes da arte joalheira.

Dos 50 ovos imperiais, apenas 42 ainda existem, e alguns deles estão expostos no Palácio do Arsenal do Kremlin. Considerado o mais caro de todos, o Winter Egg, que em 1913 foi um presente de Nicolau II para sua mãe, Maria Fedorovna, foi arrematado por US$ 9,6 milhões há cerca de oito anos, em leilão realizado pela renomada Christie’s.

Após a Revolução Russa, em 1917, a grife passou por várias mãos, incluindo companhias como Elizabeth Arden e Unilever. Desde 2007, a marca adorada pela corte de Moscou pertence ao grupo Pallinghurst Resources.

Seus novos detentores pretendem retomar sua tradição na joalheria e se dizem prontos para competir com grifes renomadas, como Tiffany & Co. e Cartier. Na atual coleção, as luxuosas e raras peças têm preços que iniciam em US$ 40 mil e podem chegar a US$ 7 milhões. O joalheiro francês Frederic Zaavy, designer da marca, foi o criador da coleção inicial e utilizou pedras preciosas minúsculas em cada peça, criando efeitos de mosaico em brincos, anéis e colares.

A volta triunfal da Fabergé foi planejada com riqueza de detalhes e segue uma estratégia nada tradicional. Para seu relançamento, a empresa escolheu a internet como principal plataforma de vendas de sua coleção de jóias, mantendo apenas uma loja física, em Genebra, na Suíça, que atende somente com hora marcada.

A grife levou a exclusividade ao auge e inovou quando decidiu que não teria uma rede de lojas para apresentar e distribuir suas jóias. A Fabergé aposta na venda online, acreditando que a experiência de compra começa na internet, como uma vitrine. Os afortunados interessados em conhecer e adquirir suas preciosas peças tem à sua disposição uma equipe de consultores de vendas especializada disponível 24 horas por dia, com capacidade para atender em 12 idiomas. Os consultores podem comparecer pessoalmente em qualquer lugar do mundo para concluir a venda da peça onde o cliente estiver. “Isso nunca foi feito antes”, afirma Mark Dunhill, CEO da Fabergé.

Para conhecer a coleção, o cliente registra-se no site e escolhe uma data e horário em que deseja ser contatado. No contato telefônico, um consultor da grife disponibiliza uma senha de acesso à exclusiva coleção de suas raridades, bem como proporciona atendimento personalizado, podendo ainda agendar uma visita. O cliente pode optar também por atendimento em vídeo chat ou texto.

“A Fabergé está estabelecendo novos padrões para o mercado de alto luxo, desafiando as convenções que tradicionalmente impõem regras e rituais ao cliente, limitando-o a horários e locais onde as marcas estão estabelecidas. O site Faberge.com oferece ao cliente o máximo de conveniência e flexibilidade, com absoluta transparência durante todo o processo de compra. Em cada etapa, o cliente dirige o processo e conduz o relacionamento para adequá-lo ao seu próprio ritmo e estilo”, diz Mark Dunhill. “Os clientes de hoje estão procurando níveis diferentes de serviço e é isso o que oferecemos. O objetivo é criar um relacionamento com nossos consumidores”, diz ainda Dunhill.

No início da web, havia um consenso geral no segmento do luxo de que a internet e as boutiques físicas existiam mutuamente em duas linhas paralelas. Era impensável para muitos gerentes de loja imaginar que um dia iriam compartilhar parte de seus clientes com o ambiente online. Muitos não podiam sequer imaginar a possibilidade de uma marca de luxo ter a sua flasgship online como a Fabergé. A loja em Genebra foi inaugurada três meses após a abertura da loja virtual. Outro caso é o da britânica Couture Lab, site dedicado à venda de produtos de moda e acessórios de grifes como Nina Ricci e Bottega Veneta, que após o seu sucesso na web investiu em uma loja física em Londres.

O CEO da marca enfatiza que suas criações estão em sintonia com a herança do trabalho de Peter Carl Fabergé, o design inovador e exclusivo para cada peça, que confere às jóias o status de obras de arte. “Neste momento, qualidade e valor duradouro são mais importantes do que nunca. Quando a economia cai, o verdadeiro luxo retorna. As pessoas tendem a efetuar suas compras especiais de um modo mais exigente e discreto”, diz Dunhill.

Com esse modelo de negócios inédito no segmento de jóias de alto luxo, a grife criou um espaço para que seu consumidor possa não apenas pesquisar, mas conhecer e desejar seus produtos. Com essa estratégia, a marca consegue estar presente em qualquer lugar do mundo, transformar a compra de uma jóia em uma experiência única e reduzir seus custos operacionais – uma aposta na diferenciação que pode recuperar espaço em um mercado que se expande, apesar da crise, pelos meios eletrônicos.

Mercado de imóveis de alto luxo no Nordeste do Brasil vive o seu melhor momento

Vista aérea do Condomínio Morada da Península

Por Ricardo Ojeda Marins (Artigo publicado no site Gestão do Luxo da FAAP)

Imóveis avaliados em milhões de reais mostram um novo retrato da riqueza da região

Beleza natural, praias magníficas, sol e um clima propício a férias fazem da região Nordeste do Brasil, um dos ícones do turismo, atração para brasileiros e estrangeiros. Além do sucesso no turismo, a região vive um momento de comemoração em outro segmento: o de imóveis, que não se desaqueceu nem durante a crise. O mercado imobiliário de segunda residência de luxo – casas e apartamentos em resorts ou imóveis de veraneio – poderá viver um boom nas próximas décadas. De acordo com a ADIT Nordeste (Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Nordeste), há uma previsão de que cerca de 7.200 novas unidades fiquem prontas até 2014. Segundo pesquisa da Itacaré Capital Partners – empresa gestora de fundos de private equity – estrangeiros, principalmente os europeus, representam boa parte desse público, já que adquirem residências no Nordeste não apenas para usufruírem como turistas, mas também como forma de investimento, com expectativa de valorização imobiliária. “O preço por metro quadrado no Brasil é um dos mais baratos e tem ainda uma grande capacidade de valorização”, diz Pedro Miranda, sócio-diretor da Itacaré.

Dentre diversos empreendimentos imobiliários da região, vale destacar o Reserva do Paiva, que fica no Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, a apenas 14 quilômetros do Aeroporto Internacional de Recife, junto a uma área da Mata Atlântica e diante de aproximadamente nove quilômetros de praia. Ele representa um novo retrato da riqueza desse mercado, com imóveis avaliados em milhões de reais e que são alvo de desejo do consumidor de alto poder aquisitivo. Foram investidos cerca de R$ 120 milhões pelos sócios do empreendimento. Inicialmente, a primeira fase do Reserva do Paiva esperava atingir futuros compradores europeus em busca de segunda moradia em lugares paradisíacos da região e que já alimentavam o turismo local. Investidores da Itália, Portugal e Espanha eram os de maior relevância para a empresa. Porém, com a crise que abalou principalmente a Europa e os Estados Unidos, os endinheirados do primeiro mundo tornaram-se escassos por ali. Por outro lado, a economia brasileira reagiu rapidamente aos impactos da crise mundial. Os negócios no Nordeste, que já iam bem, ficaram melhores ainda e 80% dos proprietários são pernambucanos que adquiriram o imóvel como moradia principal.

A primeira etapa do projeto é o Condomínio Morada da Península, composto por 67 casas, sendo 36 delas a beira-mar e 31 com vista para o mar, projetadas por arquitetos renomados como Henri Fournier, Acácio Gil Borsoi, Luiz Américo Gaudenzi, entre outros. Além de serviços básicos, o luxuoso condomínio busca proporcionar a seus moradores o máximo conforto e bem-estar com requinte, oferecendo spa, aulas de ioga, personal training, concierge, campo de golf, serviço de bar na área da piscina, entre outros.

Na planta, as casas, que foram customizadas pelos proprietários, custavam entre R$ 1,5 milhão e R$ 4 milhões, conforme a metragem e localização. Já no momento em que ocorreu a entrega das chaves das primeiras unidades, algumas delas foram avaliadas em R$ 7 milhões. A próxima etapa do projeto prevê o lançamento do condomínio Vila dos Corais, composto por seis edifícios residenciais com um total de 132 apartamentos, cujas áreas variam entre 237 e 491 metros quadrados, todos com vista para o mar e para a Mata Atlântica, e preços a partir de R$ 1,48 milhão, podendo chegar a R$ 3,4 milhões.

O Reserva do Paiva pretende ser no futuro um complexo residencial, hoteleiro, de lazer e turismo, tendo projetado ainda um centro comercial e empresarial, além de uma escola. Os investidores almejam ainda que o empreendimento seja um diferencial de hospedagem para participantes da Copa de 2014. Recife é uma das cidades que sediará parte dos jogos. O empreendimento ainda mostra uma preocupação com ações de responsabilidade social. Possui um compromisso formal de sustentabilidade desenvolvido para seus moradores, visitantes, trabalhadores, comunidades da região e todos os parceiros envolvidos. Seu comprometimento com o luxo sustentável está também presente nos detalhes: energia solar e uso de madeira de reflorestamento e certificada. Estão previstos ainda área para captação e reutilização de água da chuva, coleta seletiva de lixo e estação de tratamento de esgoto. Uma recém-construída ponte com pedágio dá acesso a esse verdadeiro oásis, com assistência 24 horas e vigilância eletrônica. “Projetamos um destino residencial e turístico de alto luxo, com infraestrutura e serviços do mais elevado padrão mundial”, diz Ruy Rego, da Odebrecht.

“Durante anos, o turismo foi a principal fonte de renda para o litoral nordestino e a atividade ainda é importante, mas agora podemos notar que o que mais alimenta a sua economia são os negócios: a instalação de novas empresas, o número relevante de executivos e os investimentos em locais como Cabo de Santo Agostinho”, diz Djean Cruz, diretor de incorporação da Odebrecht no Nordeste. Prova desse sucesso é que imobiliárias internacionais já estão de olho no potencial do mercado brasileiro. A britânica Sotheby’s International, renomada casa de leilão de peças raras e corretora focada em imóveis de alto luxo, possui nove unidades na América do Sul, sendo sete delas no Brasil. Duas de suas unidades estão em cidades nordestinas, como Recife e Natal. Também focando o consumidor classe AAA, a americana Christie’s Great Estates elegeu a In’s Brasil, com sede em Fortaleza, como sua filiada no Brasil para atender aos Estados do Ceará, Piauí, Maranhão e Pará e também possui afiliados em outras regiões brasileiras, como a renomada Coelho da Fonseca, em São Paulo, entre outros.

Todas as camadas da população estão tendo aumento na renda, o que possibilita um número maior de moradores da região comprar imóveis como esses. O Brasil está ganhando cada vez mais espaço no segmento de luxo, expandindo-se para diversas regiões do País. “O momento expansionista é irreversível. Como parte de um mundo globalizado, o consumo e as operações de luxo não estarão mais apenas em São Paulo e Rio de Janeiro”, diz Carlos Ferreirinha, presidente da MCF Consultoria e Conhecimento. De acordo com Peter Turtzo, vice-presidente internacional da Sotheby’s International Realty, o Brasil é hoje a região com maior oportunidade do setor.

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